As filiais francesas radicadas em Portugal ganharam terreno aos líderes espanhóis desde 2000, e são agora os principais contribuintes para a economia portuguesa.
De acordo com os últimos dados disponíveis, em 2014, as filiais francesas, apesar de serem em menor número do que as espanholas, são aquelas que têm maior peso em Portugal.
Em termos de Valor Acrescentado Bruto (VAB), que mede o valor económico criado pelas empresas- a França gerou 17% do total, o equivalente a 2.600 milhões de euros, ligeiramente acima do valor criado pelas empresas espanholas (16,6% ) e alemas (16,2%).
O diretor da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, Laurent Marionnet, disse que são vários os atrativos que tornam atraente o investimento em território Português.
Portugal tem um quadro legal muito parecido com o francês, o que simplifica a criação de empresas.
"Várias empresas optam por Portugal porque as condições são favoráveis, muitas vezes em parceria com empresas locais", disse Marionnet.
Se os dados entre 2010 e 2014, que coincidem com os piores momentos da crise económica que atingiram o país - foram positivos, o peso de Espanha neste capítulo caiu mais de 26%, em contraste com a importância de empresas francesas, que cresceu 5,2%.
O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Miguel Frasquilho, não entrou em detalhes sobre o declínio espanhol e preferiu reforçar a atractividade que Portugal exerce sobre o investimento estrangeiro.
"A questão do investimento em Portugal, independentemente da sua origem, debe-se ao fato de que o país oferece uma gama de apoio e benefícios muito competitivos em termos europeus", disse à EFE.
À semelhança de outros países europeus, Portugal abriu as suas portas às empresas estrangeiras e contribui para a geração de emprego, riqueza e inovação para o país.
Isso significa, por exemplo, que não há discriminação entre empresas nacionais e estrangeiras, tanto em termos fiscais quanto em termos de benefícios.
"Uma empresa pode obter apoio e incentivos que podem representar 25% do total das despesas", disse o presidente da AICEP.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal, as empresas estrangeiras, nomeadamente europeias, empregam 364.000 trabalhadores, o equivalente a 8% da população activa no país no ano passado.
Para Frasquilho, é natural que os vizinhos espanhóis ainda tenham uma maior presença como sócios economicos, dada a proximidade geográfica, linguística e histórica.
A queda acentuada durante a crise no sector da construção e imobiliário em Espanha explica em grande parte o declínio nas empresas portuguesas do solo no país vizinho.
A ascensão da França em Portugal debe-se aos setores automotivo, aeroespacial ou centros de serviços compartilhados.
Um bom exemplo disso é a ANA, o principal gestor dos aeroportos em Portugal, um ex-gigante estatal que foi privatizado e agora é controlado pelos franceses da Vinci.
Além disso, a comunidade e os negócios franceses manifestaram interesse na subcontratação de empresas lusas para a área mecánica automóvil, mas também aviação, indústria hoteleira, economia sénior e novas tecnologías.
A última prova deste interesse em Portugal é a compra da Portugal Telecom pela Altice, num negócio avaliado em 7,4 mil milhões de euros.







